‘Simpósio sobre drogas e suas consequências’ promove reflexão aos jovens em âmbito regional

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Repleto de atrações, o I Simpósio sobre Drogas e suas Conseqüências trouxe algumas horas de reflexão e conhecimento para os jovens de Monte Azul Paulista e Paraíso que foram ao Monte Azul Tênis Clube, na manhã e tarde de sábado (17).
O tema sobre drogadição foi evidenciado em diversos seguimentos, desde sua exposição à mídia como suas conseqüências sociais e pessoais. “As drogas são levadas para as TV’s e novelas através de uma exposição gratuita que não são bem trabalhadas e acabam gerando um efeito contrário” -, afirma Marcelo Otaviano, presidente da Câmara Municipal e componente da mesa de autoridades e palestrantes. O vereador procurou mostrar que atualmente, diversas emissoras têm buscado retratar o uso de diversas drogas ou o submundo que os envolvem como na novela Passione, em que a personagem de Cauã Raymond faz uso de drogas ilícitas.
“Na novela, tudo é mostrado dentro de uma forma que dá certo, que a pessoa consegue parar” – diz Otaviano -, “mas na vida real é diferente!”. De fato, na novela o ciclista passa por um momento de acolhimento familiar, assim como acontece na vida real, entretanto, na ficção, até o momento, a personagem dá sinais de controle e de que vai parar o que na realidade é um pouco mais complicado, pois envolve o vício do organismo.
Segundo a psicóloga e palestrante Julisa Morales Calve, o controle sobre o organismo é imprevisível. “Os seres humanos são diferentes, os corpos são diferentes. Um amigo seu, na balada pode querer experimentar algo, sentir um barato e conseguir parar, mas quem garante que você vai conseguir parar. Você garante que seu organismo não é suscetível? Pois há organismos que tem uma fácil adesão ao vício do que outros” -, afirmou a psicóloga aos jovens que assistiam a palestra com olhos atentos. A psicóloga também orientou aos pais, apontando para um contato mais próximo e uma atenção maior aos filhos através do diálogo e observar os comportamentos. “Se um pai olhar o seu filho olhos nos olhos vai entender o que está se passando com ele, é o ponto de observar o comportamento, como ele está agindo, pois o vício muda as pessoas” -, afirma Julisa, que abriu sua palestra citando as palavras de Içami Itiba. A palestrante bateu firme em cima do comportamento tanto dos adictos quanto dos pais, e tentou mostrar que a atenção dos pais para com os filhos faz parte de um processo de prevenção contra as drogas.
‘O craque é o mal do século’ afirma advogada
Para a advogada criminalista, Taynara Palim Durigan, que fez uma exposição sobre os aspectos jurídicos e criminais que envolvem o vício e o tráfico de drogas, de todas as drogas ilícitas, o craque é a pior delas. “Para mim o mal do século é o craque. Ele tem uma absorção muito rápida pelo cérebro e em quinze minutos a pessoa já está desesperada para ingerir novamente mais uma pedra de craque, que é uma droga mais acessível atualmente” -, diz.
Taynara palestrou para os presentes sobre a diferença penal que envolve o porte de entorpecentes para consumo próprio e o tráfico. “A diferença, atualmente está na quantidade do conteúdo encontrado com o portador. Existem penas severas para quem porta uma quantidade grande drogas” -, afirma. “Tem pessoas que acham bonito plantar um pezinho de maconha num vaso e não entendem que também pode ser autuada autuada por isso”. A advogada encerrou sua palestra informando que andar com drogas ilícitas acarreta conseqüências negativas de acordo com a lei, além de não ser um hábito saudável.
‘Os adictos vivem num sistema social paralelo’, aponta Luiz
Para Luiz Carlos da Silva (foto), conhecido pelo poco como Luiz da Farmácia, o caminho das drogas na cidade de Monte Azul Paulista têm sido algo deplorável. O palestrante, responsável pelo setor de drogadição e internação do município têm trabalho há mais de 10 anos com essa clientela e afirma ter notado uma piora social. “É possível enxergar hoje em Monte Azul Paulista um número maior de jovens envolvidos pelo consumo de drogas. Tenho atendido mães e pessoas tentando parar com o vício que chegam ao Fundo Social passando por uma situação lastimável” -, afirma.
O palestrante conta através de sua experiência que já presenciou famílias inteiras indo embora da cidade por causa de problemas com o tráfico. “Não foi um caso, já vi alguns jovens sumirem da cidade por causa do tráfico. Recentemente um dos meninos que atendi estava desesperado pois passou a noite toda trancado com os traficantes amolando facas para ameaça-lo. O menino estava envolvido com o tráfico”. Luiz ainda a ponta como isso tem se tornado possível: “os garotos começam a usar drogas e não tem condições de pagar, então passam a trabalhar traficando em troca do consumo próprio; dessa maneira se envolvem diretamente com o tráfico”. Segundo Luiz, o mundo das drogas possui um sistema social paralelo com regras próprias e funcionamento em rede com demais facções criminosas. De acordo com o palestrante, muitos dos jovens que se envolvem no tráfico tem suas contas administradas diretamente com o representante local do Primeiro Comando do Crime, o PCC. “Por isso alguns jovens de Monte Azul acabaram sumindo”.
Luiz deixa uma reflexão e um desabafo: “Tenho que alertar que a droga é um caminho sem volta. Para mim que sou de Bebedouro, mas me firmei em Monte Azul e, amo essa cidade, é difícil ver como as drogas tem invadido essa sociedade” -, encerra.
Arte ilustra o simpósio com linguagem objetiva
Para iniciar o evento, a Jazzbrazil apresentou-se sob performance do maestro Rafael Rissi na execução do Hino Nacional e o Hino Oficial de Monte Azul Paulista tiradas da flauta e clarinete. Na seqüência Antônio José de Siqueira interpretou ‘E agora José?’, de Carlos Drummond de Andrade, em que dúvida e desespero contido na poesia coloca o protagonista em uma posição que oscila entre o querer e o poder, da mesma forma que vive um usuário já se sentindo muito prejudicado pelo vício. Uma misteriosa idosa (foto) surge também para realizar o seu depoimento, sob a interpretação de João Sane Malagutti, que retornou depois na pele de um adicto. Para encerrar, o mesmo palestrou sob a inspiração das personagens em comparação com o vício pelo corpo e a importância da saúde do ser humano para a sociedade.
FOTOS: (ENFOQUEMANIA / Felipe BF da Silva) (Publicado no Jornal A Comarca em 25 de julho de 2010)




Publicado em: 26/07/2010 00:00:00

Publicado por: Marlene Aparecida Manteli